Em quatro dias na Grande Florianópolis a rodovia que liga o Oeste, pela Serra, a região do litoral catarinense matou seis pessoas em acidentes de trânsito registrados entre sábado (14/2) e terça-feira (17/2).

O que tem a ver em comum uma turista da Argentina, um bombeiro militar e sua namorada e uma mãe, sua filha e seu enteado? Infelizmente todos morreram em uma rodovia federal que não recebe investimentos como deveria e que se tornou um perigo iminente para quem se arrisca nela transitar.
A BR 282, que é federalizada. ou seja tem a reponsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes ligado ao governo federal, continua dilacerando vidas e famílias e por enquanto muito pouco de concreto foi feito nos últimos anos para que esse quadro de medo, perigo e mortes, chegasse ao fim.
No site do Dnit quando se digita “BR 282” a notícia mais recente é de setembro de 2025. Na matéria o órgão informa que “em um ano de obras, aproximadamente 102 quilômetros já foram recuperados (BR 282), beneficiando diretamente oito municípios: Chapecó, Nova Itaberaba, Nova Erechim, Pinhalzinho, Saudades, Cunha Porã, Caibi e Palmitos”.
O texto até ratifica que a BR é importante para o Estado de Santa Catarina. “A rodovia é fundamental para o transporte de cargas e o deslocamento de pessoas, conectando a Grande Florianópolis à Serra Catarinense e ao Oeste do estado” escreve a assessoria de comunicação do Denit.
Mas, só isso não basta, é preciso avançar a duplicação. Para se ter uma ideia do alto custo da obra de ampliação do número de pistas a duplicação entre Lages e São Miguel do Oeste custaria algo em torno de R$ 2,8 bilhões. Não existe até aqui previsão orçamentária para a obra de duplicação da rodovia. Uma alternativa seria investimento da iniciativa privada e posterior cobrança de pedágio. Mas até aqui uma parceria Público Privada parece não estar no radar do governo federal.
Números oficiais
A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Santa Catarina que é responsável pelo policiamento da BR 282.
Segundo as informações repassadas entre 01 de janeiro a 17 de fevereiro de 2026 em toda a sua extensão foram registrados 226 acidentes, que resultaram em 307 feridos e 18 mortes.
A reportagem pediu que a PRF fizesse um recorte também para a Grande Florianópolis. Na região da capital este ano, também até 17 de fevereiro, a BR 282, que compreende o trecho entre Alfredo Wagner e Palhoça foram ao todo 112 acidentes, com 166 feridos e 10 mortes.
Questionada se o número de acidentes e mortes diminuiriam caso a BR 282 fosse duplicada o Policial Rodoviário Adriano Fiamoncini, do setor de comunicação da PRF/SC respondeu: “Sim, a duplicação da 282 eliminaria a Colisão Frontal, uma das maiores causas de mortes. Uma barreira física (canteiro central, guard-rail) iria separar os fluxos e reduzir a gravidade dos acidentes, pois transforma o risco de uma colisão frontal (onde as velocidades se somam) em colisões laterais ou traseiras, que costumam ser menos letais” afirmou.
Para Fiamoncini uma nova pista ajudaria na fluidez de veículos na rodovia, diminuindo a possibilidade de colisões.
“A duplicação também reduziria as logas filas atrás de caminhões. Com duas ou mais faixas por sentido, o tráfego pesado flui pela direita e os veículos leves podem ultrapassar com segurança pela esquerda, mantendo uma velocidade constante e diminuindo o estresse do condutor da BR-282” apontou.
Nos números apontados pela PRF e que fazem parte deste conteúdo da TV Portal Grande Floripa vale lembrar que o número de mortos deve ser ainda maior, já que muitos dos acidentados podem ter morrido no hospital. A PRF só computa os óbitos na rodovias.
Acidentes e mortes
De 1/1/2026 a 17/2/2026 BR-282 (toda a extensão)
Acidentes – 226
Feridos – 307
Mortos – 18
De 1/1/2026 a 17/2/2026 BR-282 apenas Grande Florianópolis
Acidentes – 112
Feridos – 166
Mortos – 10
Dnit enviou Nota
Em busca por informações o jornalismo da TV Portal Grande Floripa apurou que o Dnit contratou projetos para 13 lotes entre a Grande Florianópolis e Extremo-Oeste. Os projetos de engenharia incluem estudos para duplicação entre Lages e São Miguel do Oeste (427 km) e a ampliação/duplicação entre Lages e Palhoça (209 km).
Contraponto Dnit
Nós entramos em contato com a Assessoria do Dnit para confirmar as informações apuradas pelo nosso jornalismo. Abaixo a íntegra da Nota que recebemos:
“O DNIT informa que possui 13 lotes com projetos de duplicação contratados ao longo da BR-282/SC, no trecho entre Palhoça e São Miguel do Oeste.
A previsão é que, no segundo semestre de 2026, sejam concluídos os primeiros projetos de engenharia atualmente em andamento.
O lote mais adiantado está localizado na região da Grande Florianópolis. O projeto do Contorno de Santo Amaro da Imperatriz tem conclusão prevista para agosto de 2026. A intervenção tem como objetivo criar uma alternativa viária ao tráfego urbano de Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz, contribuindo para a melhoria da mobilidade e da segurança viária na região.
No segmento entre Lages e São Miguel do Oeste, que conecta a Serra ao Oeste catarinense, quatro projetos executivos estão em andamento e contam com orçamento garantido, abrangendo aproximadamente 427 quilômetros da rodovia.
Entre eles, o lote entre Irani e Chapecó é o que apresenta maior avanço, com finalização dos estudos e dos projetos de engenharia prevista para setembro de 2026”.
Enquanto os projetos nem as obras de melhorias ou da duplicação total da BR 282 saem do papel o que resta é prudência para os motoristas e muita atenção ao transitar na rodovia, que como vimos é de pista simples e requer atenção redrobrada dos condutores.
Por: TV Portal Grande Floripa.
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