Segundo a Secretaria de Estado da Saúde foram mais de 20 anos de tratativas para implantação do serviço na unidade que atende não só pacientes da Grande Florianópolis, mas de outras regiões de Santa Catarina com medicina especializada para crianças e adolescentes.

O sonho de Joaquim Schmidt Mascarenhas (foto acima) envolve chuteiras, bolas e gols. Aos 13 anos, ele quer fazer história no futebol, mas, antes disso, já enfrenta uma grande batalha fora dos campos. Internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), unidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES) em Florianópolis, o menino de Rio do Sul se tornou o primeiro paciente a realizar hemodiálise dentro da instituição, um marco histórico para a saúde pública da capital.
“Estou um pouco nervoso, porque é a primeira vez, mas também é muito gratificante para mim. Saber que isso pode ajudar outras crianças a se sentirem fortes e a não acharem que são fracas por estarem doentes. Nós já somos fortes, pois ficar no hospital não é fácil. Às vezes eu choro, fico desanimado, mas, comparando com quando cheguei, hoje estou muito melhor”, contou Joaquim.

Até então, as crianças internadas que precisavam desse tipo de tratamento renal eram transferidas para o Hospital Jeser Amarante Faria, em Joinville. No HIJG, já era oferecida a diálise peritoneal, considerada a primeira escolha para os pequenos. No entanto, em casos mais graves ou quando o método falha, a hemodiálise se torna indispensável. Após 20 anos de tratativas, o hospital passa a disponibilizar o procedimento internamente, com duas máquinas disponíveis e equipes capacitadas para o atendimento à beira do leito da UTI, evitando deslocamentos de risco em casos agudos.
“Esse é um grande passo para fortalecer a assistência em nefrologia pediátrica em Santa Catarina. A saúde precisa acontecer onde as pessoas estão e, por isso, temos objetivos claros: ampliar a oferta de serviços, disponibilizar recursos adequados e garantir suporte aos pacientes”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.
Joaquim chegou à hemodiálise depois de um longo acompanhamento médico. Portador de uma má formação renal desde o nascimento, vive com apenas um rim desde a infância. Passados anos levando uma vida considerada normal, os exames começaram a apresentar alterações no fim de 2025, seguidos por sintomas intensos e a piora do quadro, o que levou ao encaminhamento para o Hospital Infantil Joana de Gusmão. A diálise peritoneal chegou a ser efetuada, mas não apresentou resposta, tornando a hemodiálise necessária, com efeito praticamente imediato.

“A expectativa é viver um dia de cada vez e aproveitar cada momento da melhor forma possível. Os sonhos continuam, e a gente vai se adaptando conforme a vida vai trazendo as coisas para nós. Ele fazia acompanhamento anual com a área de nefrologista daqui e sempre fomos muito bem atendidos. Agora, durante esta internação, continuamos sendo muito bem tratados. Temos todo o amparo necessário e nos sentimos seguros com toda a equipe”, declarou a mãe Soraia Schmidt de Sousa.
Indicação e benefícios
A hemodiálise é indicada em casos de insuficiência renal aguda ou crônica grave, quando os rins não conseguem mais cumprir sua função. Entre os sinais mais comuns estão inchaço, diminuição ou ausência de urina, pressão alta, dor de cabeça e apatia. No caso de Joaquim, a resposta foi rápida: já nas primeiras sessões, com duração média de três horas, houve redução do inchaço, melhora nos exames e diminuição da quantidade de medicamentos utilizados.
“O serviço de nefrologia pediátrica existe há muitos anos no Hospital Infantil e desde então buscamos a implantação da hemodiálise. Hoje contamos com equipes treinadas, enfermagem capacitada e toda a estrutura necessária, como máquinas, insumos, linhas, capilares e osmose. Com isso, conseguimos iniciar o atendimento e beneficiar significativamente o Joaquim”, comentou a nefrologista pediátrica e chefe do serviço no HIJG, Dra. Martha Nunes Simon.

Parte da equipe do serviço de nefrologia do HIJG (Foto: Jonatã Rocha)
Da implantação à expansão
A chegada da hemodiálise ao Hospital Infantil Joana de Gusmão é resultado de um processo de duas décadas e representa um momento histórico para a instituição. A implantação do serviço de hemodiálise beira-leito na UTI exigiu a articulação de diversos fatores e a obtenção de insumos de alta complexidade, especialmente por se tratar de um público infantil. A combinação desses esforços foi decisiva para que a iniciativa se tornasse realidade.
“No ano passado, sete dos nossos pacientes necessitavam de hemodiálise. Mas sabemos que, quando se oferta um serviço, a demanda vem junto. A ideia é que o serviço se expanda ainda mais e que novos pacientes sejam atendidos e beneficiados. O Joaquim foi o primeiro a realmente precisar e ter a indicação clínica para hemodiálise. O fato de já estarmos com o serviço disponível permitiu que esse momento acontecesse”, afirmou a diretora do HIJG, Maristela Cardozo Biazon.
Entre os próximos passos do hospital está a análise da viabilidade de um serviço voltado também a pacientes crônicos, com a criação de um centro de hemodiálise pediátrica. Enquanto a instituição projeta o futuro, Joaquim segue fazendo planos. Entre uma sessão e outra, conversas com as enfermeiras e cartinhas de apoio dos amigos da escola, o sonho de ser jogador de futebol continua firme, agora acompanhado de ainda mais esperança.

Por: TV Portal Grande Floripa com fotos de Jonatã Rocha.
Participe do nosso Grupo de Whatsapp da TV Portal Grande Floripa clique aqui.
A TVPGF reforça o compromisso com o jornalismo isento, profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação responsável e na qual você pode confiar.
