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Depois de meses de monitoramento, os principais centros meteorológicos passaram a convergir para um mesmo cenário: o El Niño deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e atingir seu pico durante a primavera e o verão no Hemisfério Sul.

Essa tendência do El Niño é acompanhada diariamente pela equipe da Epagri/Ciram, responsável pelo monitoramento meteorológico em Santa Catarina.

Embora os efeitos variem de uma região para outra, os especialistas alertam que os próximos meses exigirão atenção redobrada, principalmente em relação às chuvas intensas e aos temporais.

Segundo a meteorologista Gilsânia de Souza Cruz, os dados mais recentes apontam para um fenômeno de forte intensidade, com possibilidade de alcançar a categoria de muito forte nos próximos meses.

Historicamente, é justamente nesse período que Santa Catarina registra alguns dos maiores  acumulados de chuva do ano.

A primavera já é naturalmente marcada pela passagem frequente de frentes frias e pela formação de tempestades.

Com a atuação do El Niño, essas condições tendem a se intensificar, favorecendo episódios de precipitação persistente e eventos extremos.

Como a ciência acompanha um fenômeno que dura meses

Ao contrário de uma frente fria ou de um ciclone, que se desenvolvem em poucos dias, o El Niño é um fenômeno lento. Sua formação acontece gradualmente e sua evolução pode ser acompanhada durante vários meses.

Para isso, meteorologistas monitoram continuamente uma enorme quantidade de informações produzidas por instituições brasileiras e internacionais.

Na Epagri/Ciram, o trabalho combina observações realizadas em Santa Catarina com dados provenientes dos principais centros meteorológicos do mundo.

Entre os indicadores analisados estão a temperatura da superfície do mar, o Índice ONI (Oceanic Niño Index), campos atmosféricos, imagens de satélite e modelos numéricos de previsão climática.

Quando uma previsão de chuva se transforma em alerta de desastre

Enquanto a Epagri acompanha a evolução do clima, outra instituição trabalha com uma pergunta ainda mais urgente: aquela chuva prevista poderá se transformar em tragédia?

Segundo o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, existe uma diferença fundamental entre um aviso meteorológico e um alerta de desastre.

Para chegar a essa conclusão, o centro utiliza uma extensa rede de monitoramento formada por pluviômetros automáticos, radares meteorológicos, imagens de satélite, sensores de umidade do solo e estações hidrológicas que acompanham, em tempo real, o nível dos rios.

Esses dados alimentam modelos computacionais capazes de estimar o comportamento das bacias hidrográficas e das encostas antes mesmo da ocorrência dos desastres.

Além da intensidade da chuva, os especialistas avaliam fatores como relevo, saturação do solo, histórico de eventos extremos e grau de vulnerabilidade da população.

Quando o risco é confirmado, o Cemaden envia um documento técnico à Defesa Civil Nacional, que repassa as informações aos estados e municípios.

Cabe então às Defesas Civis locais decidir quais medidas deverão ser adotadas, como mobilização de equipes, abertura de abrigos, interdição de áreas de risco ou emissão de alertas à população.

Segundo o diretor substituto do Cemaden, Pedro Camarinha, todo o processo é baseado em análise técnica e avaliação humana.

Dependendo das características do evento, os alertas podem ser emitidos com até dois dias de antecedência.

Já em situações mais rápidas, como enxurradas provocadas por tempestades de verão, o tempo de resposta pode ser de apenas algumas horas — ou até poucos minutos.

Por isso, os especialistas reforçam que o monitoramento é permanente.

Por: TV Portal Grande Floripa.

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